está em constante formação sempre...
Fazia tempos que a vida do engenheiro agrônomo Antônio David se restringia à idas e vindas ao campo. Ainda era dia, quando, ao vestir o seu traje _ calças jeans blusa pólo e botinas bem amaciadas pelo tempo de uso, ao colocar em sua xícara um belo gole de café sem açúcar, começara a resmungar:_ “O dia promete, o dia promete”.
Dr. David como era chamado pelos assistidos, tinha sempre em mente o seu conhecimento o suficiente para resolver qualquer tipo de problema. Para ele um engenheiro é capaz de resolver tudo. E foi assim desde a sua colação de grau, pois o diploma era um dos seus maiores trunfos.
O seu trabalho se resumia em visitar pequenas propriedades do interior do estado do Espírito Santo, onde se preconiza a agricultura familiar; sendo, portanto um extensionista naquela região. Pois bem, entrava no Fiat Uno do projeto Educampo, uma parceria do governo com o Sindicato dos Produtores Rurais, e punha-se a conduzir o veículo em direção “sabe-Deus-lá-onde”. Foi em uma dessas viagens que encontrou com um trabalhador rural nascido, crescido e, quem sabe, futuramente enterrado na roça. A vida do agrônomo nunca seria a mesma.
Seu Zé Firmino, mestiço de pomerano com brasileira fazia jus como agricultor familiar. O agricultor acordava cedo, esperava sua mulher, dona Josefina, arrumar sua marmita para passar o dia todo no cafezal que, no passado fora de italianos, mas, atualmente, com muito suor, pertencia a ele. Seu Zé havia marcado uma visita de um técnico para que o mesmo pudesse avaliar o estado de sua lavoura. Apesar de ele não gostar de terceiros entremetendo no que é seu hoje parecia haver mesmo uma necessidade de tal visita ser efetivada.
O Fiat Uno surgiu na porteira da propriedade, e seu Zé Firmino saiu todo sorridente, pois o extensionista fora pontual. Feitas as apresentações, seu Zé diz:
_Doutor tudo o que está plantado nessa roça é meu, e, pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, não me venha com nome difícil que eu não entendo patavina nenhuma.
Antônio David, com um ar de deboche, exclama:
_O dia promete! O dia promete mesmo! Tudo bem senhor José Firmino _acrescentou o agrônomo_ Eu tenho alguns pontos a lhe acrescentar, mas caberá ao senhor acatá-las. Seu cafezal é muito antigo, e, para que eu possa melhorá-lo, é necessário fazermos coleta de amostras de solo e de folhas para uma análise mais precisa. Gostaria de amenizar não somente a ferrugem no cafeeiro como também as plantas invasoras na lavoura por inteira. E quanto ao trato cultural, é imprescindível mudarmos as leiras da parte debaixo para uma mais acima no cafezal.
Seu Zé, com uma cara espantada, nem questionou o que seria as tais “plantas invasoras” e foi logo no ponto.
_Nunca tive vontade nenhuma de trabalhar no alto_ resmungou o mesmo_ muito menos mudar uma coisa na natureza não se vê; topo de morro é para bichos, pássaros e árvores e não para homem trabalhar. Quando chove, não há nada que faça parar uma terra lá em cima.
O agrônomo não se conteve ao falar que quem mais entendia de erosão era ele. Seu Zé nem sabia ter aquilo este nome, mas se a cultura do café era o que importava na propriedade, para essa cultura torná-lo rico, o consultasse.
_Ficar rico? _perguntou seu Zé_ Mais pra que. Já tenho tudo que preciso. Tenho a chuva no tempo certo, minhas duas mãos para trabalhar e uma família que nunca me trouxe aborrecimentos. Você me vem com essa história de riqueza! Minha preocupação não é essa!
_Mas, mas... Senhor Zé Firmino, o que eu estaria fazendo aqui se não fosse para lhe ajudar a ficar rico? Eu, eu..._gaguejou o engenheiro_ realmente estou muito surpreso como que o senhor me disse. Pensei que tudo o que eu havia lhe falado pudesse servir para algo. Para mim estava tudo tão simples e agora me sinto como o ditado diz: “em uma sinuca de bico”. Então o que o senhor quer que eu faça?
Seu Zé, em um ato de sabedoria, disse:
_Doutor, gostaria de te contar uma coisa que ouvi de um italiano prestes a morrer. Ele falou num tom sereno:_ “a vida é muito curta para pensar que sabemos tudo”. Não chamei o senhor aqui para o senhor me ensinar nada, mas para que, com uma “cabeça a mais”, eu pudesse enxergar diferente. Vá, vá, eu me enganei. Talvez amanhã eu chame outro, depois outro, e quem sabe mais outro doutor experiente, porque o senhor é ainda rapazote. Infelizmente há ainda um longo caminho para que a própria vida seja sua escola.
Mesmo de cabeça baixa, o agrônomo respirou fundo e disse:
__Muito bom! Que meu dia ainda prometa! Ainda prometa!
Marianna Villaça Batista
Outubro/2008
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
“Eis que o semeador saiu a semear” (MT 13:3b)
Essa passagem já mencionada na Bíblia a mais de 2000 anos, época que Jesus Cristo ainda se encontrava no meio da sociedade romana, é de muita utilidade para todos que vivem por tal semente.
Na parábola escrita em Mateus 13, Jesus nos remete a um bom agricultor que nunca deixou de semear independente do tipo de solo que o encontrava, assim como tantas outras partes da Bíblia, a própria semente se refere a algo totalmente cheio de vida e de poder. Para nós, seres humanos, se as mesmas não fossem cultivadas por idôneos lavradores, a perpetuação de nossa espécie não seria de fato efetivada.
Fazendo um paralelo com essa mesma parábola, vemos que o solo é outro fator primordial. Existem solos rochosos, sem profundidade; solos com muitos espinhos, cheios de plantas daninhas; solos à beira do caminho, totalmente compactados, etc. Para que tais solos possam a vir a ter uma boa colheita é preciso cultivá-los. Mas quem se dispõe a pagar um alto preço em terrenos como esses... Na verdade poucos muito poucos possuem amor pela terra.

Para nós engenheiros agrônomos, que vivemos para tais solos, e para tal semeadura, é de vital importância semearmos em uma “boa terra”, para que, colhamos a cem, a sessenta e a trinta por um.
Não somente a nossa classe deveria possuir tal amor pela terra, pois o que deveria acontecer, e parece que ainda não está acontecendo, é que como Jesus explicava as parábolas após as mencioná-las, nós seres humanos deveríamos refletir sobre o porquê de cultivarmos.
Devemos nos voltar ao princípio, rever nossos conceitos e sermos simples para que o suor do nosso rosto não venha a ser o orgulho em nosso coração. O fato de colhermos muito não significa que somos os “tais”, mas sim que o solo em que produzimos, ou seja, o amor por tal semeadura é quem nos deu a capacidade de podermos alimentar não somente aos que conosco se relacionam, mas sim a todos que confiam no poder da semente. Pois, na verdade, se não fossem a semente, a chuva e o solo, a nossa profissão se resumiria à somente lermos as “parábolas”, e não às explicá-las.
“Atendei vós, pois, à parábola do semeador” (Mt 13:18)
Marianna Villaça Batista
Janeiro2009
Na parábola escrita em Mateus 13, Jesus nos remete a um bom agricultor que nunca deixou de semear independente do tipo de solo que o encontrava, assim como tantas outras partes da Bíblia, a própria semente se refere a algo totalmente cheio de vida e de poder. Para nós, seres humanos, se as mesmas não fossem cultivadas por idôneos lavradores, a perpetuação de nossa espécie não seria de fato efetivada.
Fazendo um paralelo com essa mesma parábola, vemos que o solo é outro fator primordial. Existem solos rochosos, sem profundidade; solos com muitos espinhos, cheios de plantas daninhas; solos à beira do caminho, totalmente compactados, etc. Para que tais solos possam a vir a ter uma boa colheita é preciso cultivá-los. Mas quem se dispõe a pagar um alto preço em terrenos como esses... Na verdade poucos muito poucos possuem amor pela terra.

Para nós engenheiros agrônomos, que vivemos para tais solos, e para tal semeadura, é de vital importância semearmos em uma “boa terra”, para que, colhamos a cem, a sessenta e a trinta por um.
Não somente a nossa classe deveria possuir tal amor pela terra, pois o que deveria acontecer, e parece que ainda não está acontecendo, é que como Jesus explicava as parábolas após as mencioná-las, nós seres humanos deveríamos refletir sobre o porquê de cultivarmos.
Devemos nos voltar ao princípio, rever nossos conceitos e sermos simples para que o suor do nosso rosto não venha a ser o orgulho em nosso coração. O fato de colhermos muito não significa que somos os “tais”, mas sim que o solo em que produzimos, ou seja, o amor por tal semeadura é quem nos deu a capacidade de podermos alimentar não somente aos que conosco se relacionam, mas sim a todos que confiam no poder da semente. Pois, na verdade, se não fossem a semente, a chuva e o solo, a nossa profissão se resumiria à somente lermos as “parábolas”, e não às explicá-las.
“Atendei vós, pois, à parábola do semeador” (Mt 13:18)
Marianna Villaça Batista
Janeiro2009
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Meus 10 anos
Quando era criança, ainda na fazenda, pensava que poderia criar situações, vivenciar experiências ainda nunca vivida pelos que se encontravam na cidade.
Um dia me tornava funcionária de uma repartição pública, outro dia sonhava em ser como os heróis dos desenhos animados, e ao mesmo tempo em que era a dona de um hotel na cidade na qual eu mesma era a prefeita; tornava-me professora da única escola do vilarejo. Nada me impedia de sonhar... Tinha amigos invisíveis, sabia saltar como uma ginasta além de empinar pipa. Tudo isso graças aos meus 10 anos de idade!
Nessa correria em “ser grande” na vida, tudo se torna irrelevante, o que exclui o não desprezar os humildes começos.
Diante da explosão do conhecimento, da efervescência da vida, nesse ínterim em construir um futuro, nada é por acaso.
Possuindo a cultura do “cultivar sonhos” e da valorização do recurso humano, a AgroPlan-UFV dedica à todos, que nunca desistiram dos seus maiores sonhos, por menores que eles fossem; os seus 10 anos de existência!
Marianna Villaça Batista
Outubro/2008
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